1. A Reprodução das Assimetrias Educacionais no Contexto da Inteligência Artificial
Coordenação: Romualdo da Silva Sales, Rosana Fernandes de Oliveira Frutuoso e Rony Willams Frutuoso de Souza.
Resumo: Afastando-se de visões tecnocentristas ingênuas, o curso analisa a Inteligência Artificial sob um viés estritamente sociológico e bourdieusiano, investigando-a como um novo mecanismo de produção e reprodução de assimetrias educacionais. O debate foca em como a promessa de democratização do saber esbarra na precariedade das escolas públicas e em como o domínio técnico e reflexivo dessas ferramentas atua como capital cultural e simbólico, aprofundando a distinção social e a distância entre grupos hegemônicos e subalternos.
2. Antropologia do Corpo
Coordenação: Professor Rogério Humberto Zeferino Nascimento.
Resumo: O foco do curso é desmistificar e desnaturalizar a percepção dominante de que o corpo humano possui uma dimensão estritamente orgânica e biológica. O debate demonstra como a medicalização e a estetização contemporâneas tendem a apagar o peso das mediações culturais. Em contrapartida, através de lentes antropológicas, o minicurso resgata a impressionante variedade diacrônica e sincrônica de concepções e formas de perceber os corpos humanos que diferentes sociedades e culturas registraram ao longo da história.
3. Cidade e Sociologia: teorias, conceitos, metodologias e problemáticas aplicadas ao Ensino Médio
Coordenação: Prof. Dr. Marcelo da Silva Araujo.
Resumo: Configurado como uma oficina de apoio ao trabalho docente, o curso visa oferecer subsídios conceituais e sequências didáticas para professores de humanidades do Ensino Médio na Paraíba. A ementa introduz a Sociologia Urbana clássica e contemporânea, perpassando as críticas de Engels à sociedade industrial, as formulações de Simmel e Weber sobre a vida urbana, e as contribuições ecológicas da Escola de Chicago (Park e Wirth). A proposta é dinamizada pelo uso prático de recursos de fácil acesso (músicas e vídeos do YouTube) para incentivar o debate sobre cidadania e a percepção do estudante como ator social.
4. Corpos Divinos, Gêneros Possíveis: androginia e terceiro sexo no hinduísmo antigo
Coordenação: Arilson Paganus.
Resumo: A proposta executa uma detalhada análise sociológica e histórica das representações de gênero, androginia e homossexualidade no contexto da Índia antiga. Cruzando a literatura clássica indiana (incluindo o Kamasutra e textos sagrados jainistas e hinduístas) com a sociologia da religião de Max Weber e conceitos nietzschianos, o curso debate o estatuto e os papéis sagrados conferidos às mulheres e ao "terceiro sexo". A tolerância de gênero na antiguidade oriental é contraposta de forma crítica à herança moralista e binária do Ocidente, exercitando um olhar metodológico voltado a desnaturalizar as categorias contemporâneas de sexualidade.
5. Enegrecendo a academia: autoria negra, formação crítica e combate ao racismo epistêmico
Coordenação: Jessica Ellen Paixão Silva e Maria Angélica de Oliveira.
Resumo: O minicurso propõe uma revisão crítica das grades curriculares tradicionais ao visibilizar e valorizar as trajetórias e produções intelectuais de pensadores negros nos campos das Ciências Sociais, Literatura e Linguística. O objetivo central é confrontar as estruturas do racismo epistêmico nos espaços universitários. A dinâmica metodológica é dividida em três fases bem delineadas: gamificação na primeira hora, seguida de exposição dialogada e, por fim, uma dinâmica de compartilhamento onde os próprios participantes apresentam autores negros vinculados às suas respectivas pesquisas.
6. Experiência, significado e produção de subjetividades
Coordenação: Luis Henrique Cunha.
Resumo: Este minicurso coloca em debate a relevância e a centralidade das experiências (tanto individuais quanto coletivas) nos processos de produção de subjetividades e na construção de significados socialmente compartilhados. A fundamentação teórica busca estabelecer interlocuções críticas com os campos conceituais da identidade e da interseccionalidade, propondo caminhos inovadores para análises teóricas e condução de pesquisas de campo empíricas nas ciências humanas.8
7. Inteligência artificial, poder e desigualdades nas Ciências Sociais
Coordenação: Prof. Dr. Wellington Candeia de Araújo.
Resumo: Uma introdução rigorosa e estritamente crítica sobre o avanço tecnológico, estruturada de forma a dispensar qualquer conhecimento técnico prévio em programação dos participantes. Aborda a IA como uma construção sociotécnica dotada de desdobramentos políticos e epistemológicos. O programa debate tópicos sensíveis como vieses algorítmicos (reprodução de desigualdades de raça, gênero e território em sistemas de reconhecimento facial), capitalismo de vigilância, desinformação nas redes digitais, impactos na governança democrática e o uso ético/metodológico de ferramentas geradoras de conteúdo na própria pesquisa científica.
8. Toda verdade deve ser dita? Dilemas filosóficos e jurídicos da mentira
Coordenação: Hermilia Feitosa Junqueira Ayres.
Resumo: Esta proposta propõe um olhar interdisciplinar e reflexivo sobre as fronteiras éticas, políticas e jurídicas que separam a verdade e a mentira nas relações humanas e na sociedade. Problematiza se toda mentira é moralmente condenável ou se há circunstâncias em que omitir ou mentir se torna um dever ético. Metodologicamente ativa, a atividade articula teorias de pensadores clássicos (como Kant, Nietzsche, Arendt e Foucault) a narrativas ficcionais, recursos audiovisuais e estudos de caso focados no campo jurídico, debatendo o direito ao silêncio, o contraditório, a ampla defesa e a produção da verdade institucional.3
9. Tópicos avançados em democracia e instituições: desafios contemporâneos da democracia
Coordenação: Prof. Dr. Jorge Henrique Oliveira de Souza Gomes, Prof. Dr. Maurino Medeiros de Santana e Prof. Dr. Clóvis Alberto Vieira de Melo.
Resumo: Dedicado à análise de fenômenos recentes descritos pela ciência política como erosão democrática, democratic backsliding e autocratização endógena conduzida por lideranças eleitas. O curso foca nos mecanismos de defesa institucionais, como o Estado de Direito e a accountability horizontal. O encerramento da atividade prevê um debate analítico e empírico focado no cenário brasileiro recente para avaliar a resiliência e os desafios atuais da democracia no país.
10. Trabalho Doméstico, Direitos e Memória: Produção Audiovisual e Extensão Universitária na Construção de Conhecimentos sobre Trabalho e Cuidados
Coordenação: Ana Patrícia Sampaio de Almeida, Eduardo Donato e Roseli de Fátima Corteletti.
Resumo: Vinculado a projetos de extensão (PROBEX/UFCG), o minicurso articula discussões teóricas e oficinas práticas sobre o trabalho doméstico e de cuidados sob a ótica das desigualdades de gênero, raça e classe. O foco está em debater direitos trabalhistas, previdenciários e a essencialidade dessa atividade para a reprodução social. O diferencial metodológico consiste na realização de oficinas de introdução ao uso de ferramentas audiovisuais (imagem e som) na pesquisa social, demonstrando como o cinema e a fotografia servem como instrumentos de memória, educação popular e incidência política para a categoria.
11. Transformações no Mundo do Trabalho: debates teóricos críticos e experiências de pesquisa qualitativa
Coordenação: Ana Carla Souto de Oliveira Gomes, Ana Márcia Almeida Pereira e Márcia de Lima Pereira Couto.1
Resumo: O minicurso promove uma reflexão crítica sobre as profundas mudanças estruturais ocorridas no mercado de trabalho nas últimas décadas. O debate parte da centralidade do trabalho na vida socioeconômica para analisar as novas formas de organização, controle e exploração contemporâneas. O conteúdo recupera a tradição marxista (fordismo, toyotismo, acumulação flexível) e examina os impactos diretos do neoliberalismo e da plataformização nas relações laborais. Adicionalmente, compartilha experiências empíricas de pesquisas qualitativas realizadas com trabalhadores de aplicativos, informais e empreendedores por necessidade.
12. Um “rico” campo de estudos: estratégias de pesquisa para estudar elites sociais e classes dominantes
Coordenação: Saulo Barbosa e Valdênio Meneses.
Resumo: Voltada para o topo da pirâmide social, a atividade propõe apresentar estratégias metodológicas, teóricas e éticas específicas para o estudo das elites e das classes dominantes. Os coordenadores pontuam que pesquisar esses segmentos exige uma formação conceitual rigorosa e uma cuidadosa interação empírica com grupos que reivindicam posições de hegemonia. O cronograma divide-se em debater o mapeamento e identificação das elites, os problemas clássicos da sociologia, o uso da técnica de prosopografia, a memória como dispositivo de poder e os desafios das entrevistas face a face realizadas por cientistas sociais.